


Queridos irmãos e irmãs!
Todos os anos, por meio da Mãe Igreja, Deus «concede aos seus fiéis a graça de se prepararem, na alegria do coração purificado, para celebrar as festas pascais, a fim de que (…), participando nos mistérios da renovação cristã, alcancem a plenitude da filiação divina» (Prefácio I da Quaresma). Assim, de Páscoa em Páscoa, podemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação. São Paulo chega a dizer: «Até a criação se encontra em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus» (Rm 8, 19). Nesta perspetiva, gostaria de oferecer algumas propostas de reflexão, que acompanhem o nosso caminho de conversão na próxima Quaresma.
O Dia Mundial do Doente foi instituído por S. João Paulo II em 1992. A data escolhida foi a de 11 de fevereiro que coincide com a celebração litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes. Na carta de instituição do Dia Mundial do Doente, o Papa São João Paulo II lembrava que a data representa “um momento forte de oração, de partilha, de oferta do sofrimento pelo bem da Igreja e de apelo dirigido a todos para reconhecerem na face do irmão enfermo a Santa Face de Cristo que, sofrendo, morrendo e ressuscitando, operou a salvação da humanidade”.

Queridos irmãos e irmãs!
«Recebestes de graça, dai de graça» (Mt 10, 8): estas são palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o seu Reino.
Por ocasião do XXVII Dia Mundial do Doente, que será celebrado de modo solene em Calcutá, na Índia, a 11 de fevereiro de 2019, a Igreja – Mãe de todos os seus filhos, mas com uma solicitude especial pelos doentes – lembra que o caminho mais credível de evangelização são gestos de dom gratuito como os do Bom Samaritano. O cuidado dos doentes precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que nos é «querido».
Foi com este lema no coração que, ao longo das últimas semanas, saímos dos nossos sofás e percorremos as ruas da nossa paróquia. Passando pelos lares de idosos e centros de dia, pelo hospital, pelas casas dos doentes e, no passado dia 12 de Janeiro, acompanhando o Senhor Bispo, também fomos até ao Estabelecimento Prisional de Lamego. Esta visita estava prevista para o final do mês de Dezembro mas, infelizmente, devido à greve dos guardas prisionais, teve de ser adiada.
Sempre na tónica do espírito natalício pudemos cantar, abraçar, rezar e ouvir… ouvir muito. Num tempo em que tudo passa a correr, fez-nos bem parar e, sem pressas, visitar estas pessoas. Do doente acamado em casa até ao irmão recluso: tantas histórias de vida, tanta sabedoria partilhada, tanta solidão sofrida, tanta bondade semeada.
No final de cada encontro quisemos entregar a todos uma dezena realizada pelos nossos jovens do grupo sócio-caritativo. Era apenas um “miminho” mas percebemos que, este pequeno gesto, deixava as pessoas com um brilho nos olhos.
Agradecemos a hospitalidade de quantos nos receberam e a colaboração de todos aqueles que nos acompanharam nesta bela missão. Que o Menino Jesus a todos abençoe.

A boa política está ao serviço da paz
1. «A paz esteja nesta casa!»
Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: «Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: “A paz esteja nesta casa!” E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós» (Lc 10, 5-6).
Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz.[1] A «casa», de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa «casa comum»: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude.