“A paz esteja contigo!”. Esta antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas, ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa. «A paz esteja convosco!» ( Jo 20, 19.21) é a sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma muda

 natal

«No termo da estrada não está a estrada, mas a meta. No termo da escalada não está a escalada, mas o cume. No termo da noite não está a noite, mas a aurora. No termo do inverno não está o inverno, mas a primavera. No termo da morte não está a morte, mas a vida. No termo da humanidade não está o homem, mas o Homem-Deus. No termo do Advento não está o Advento, mas o Natal. A espera não deve desfazer-se numa inquietude infinita.»

Como em cada ano, o Natal regressa para indicar-nos que há uma meta no nosso caminho (…)

O frenesi contemporâneo criou uma espécie de insatisfação permanente: quanto mais se tem, mais se quer. É por isso que nunca se conhece um ponto de chegada e um propósito preciso e definitivo, mas vagabundeia-se sem meta.


O Natal é precisamente o sinal de um porto de chegada, é quase o indicador de uma meta que ainda não se alcançou mas que é certa, e não tem no centro um homem, mas o Homem-Deus. E não só porque Cristo emerge, mas também porque todas as criaturas humanas são chamadas a ser filhas de Deus, de modo que «Deus seja tudo em todos» (I Coríntios 15,28).


Aliás, Paulo ousará imaginar um ponto final, no qual toda a criação será redimida, fruindo da mesma liberdade e da mesma alegria dos filhos de Deus. «No termo da morte não está a morte, mas a vida.» É este o desejo de Natal para cada pessoa, sobretudo para quem está desencorajado e desiludido.

 
P. (Card.) Gianfranco Ravasi